segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Liberty


Já pensou que a maioria de nós vive sob um regime esmagador de liberdade condicional? Temos hora para levantar, para deitar, para chegar ao trabalho, para almoçar, para sair do trabalho. Respeitamos regras sociais que mudam conforme o ambiente que freqüentamos. Nos adaptamos primeiro aos nossos pais, depois aos nossos amigos, às namoradas e namorados, aos professores da universidade, aos colegas do escritório, ao tipo de chefe que temos.
E, claro, se tudo corre dentro dos padrões sociais aceitáveis, recebemos pequenos períodos (compostos de horas) de liberdade condicional. Estou desfrutando do meu nesse momento!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Decisões

No fim o que são decisões? Este caminho ou o outro, isso ou aquilo, ali ou lá... O que teria sido se não fosse como é. Muitas vezes questiono o livre arbítrio. Existiria mesmo? Ou essa história é só um conto de fadas no qual tentamos acreditar para sustentar a ilusão de que temos o controle de nossas vidas e talvez também da vida dos nossos filhos, maridos, namorados, amigos e por aí segue.
O ser humano é mesmo uma raça cheia de enganos. Por que tanta preocupação com futuro se ele é tão pequeno, vivemos tão pouco e sempre preocupados com os próximos 10 anos. Que força esmagadora e cruel nos impede de viver o hoje e nos remete sempre dez anos para frente?
Da mesma forma nos agarramos com unhas e dentes à culpa. Culpa por não ter tomado decisões diferentes no passado que poderiam ter reflexo mais positivo no futuro. E quando heroicamente tentamos nos livrar dessa culpa e respirar um ar mais puro há sempre uma alma inquieta ao nosso lado que ora sussurra, ora grita – se preciso – “Não te esqueças: a culpa é tua! A culpa é sempre tua!”
A cada dia que passa descubro milagres de felicidade no agora. Na chuva que cai a tarde e refresca meu corpo castigado pelo calor que tem feito. No balançar romântico da rede na varanda. No sorriso vazado da minha filha. No perfume delicado que eu adoro, mas que está no fim – e aí sempre parece melhor.
É a vida manifestando-se no presente. Acenando para todos como a dizer “olhem pra mim, estou aqui, olhem...”. Mas quase sempre seguimos pensando no que será, no que foi ou no que nunca mais poderá ser.

domingo, 31 de janeiro de 2010




Há vida presa dentro de mim. Vida querendo explodir em confetes e serpentinas. Suplicando por clarear como o sol que nasce do mar. O desespero da asfixia. Aqui em volta só vejo morte. Mentes esquálidas, anoréxicas, viciadas na busca pelo nada absoluto. O silêncio não diz nada. E o meu grito ninguém ouve. Preciso da vida, da existência justificada, da surpresa de um olhar profundo, de ser sem ter que existir.

domingo, 10 de maio de 2009

Epitáfio


Devia ter amado mais

Ter chorado mais

Ter visto o sol nascer

Devia ter arriscado mais

E até errado mais

Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado as pessoas como elas são

Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me protegerEnquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

Devia ter visto o sol se pôr

Devia ter me importado menosCom problemas pequenos

Ter morrido de amor

Queria ter aceitado a vida como ela é

A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me protegerEnquanto eu andar distraído

O acaso vai me protegerEnquanto eu andar...

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

domingo, 12 de abril de 2009

De outros demônios

Os olhos pesados refletidos no retrovisor do carro e no peito uma angústia de 2 toneladas. Pudesse ficaria aqui por toda a noite, aqui onde me parece, nada nem ninguém pode chegar. Sinto falta de pequenas coisas que no correr dos dias, com os minutos e as horas voando tão freneticamente, perdem sua real importância. Sinto-me, agora, uma sombra. O que eu poderia ter sido? Em que travessa de que avenida me perdi? Em que esquina vendi minha alma por um cigarro? Não há significado nenhum em levantar-me de manhã e dar alguns passos até o banheiro. O reflexo que vejo ao escovar os dentes não é meu. Nem esses dentes me parecem meus. Parei de sonhar e então deixei de existir. E tento em desespero voltar a acreditar mas a vida volta em bofetadas a lembrar-me de que não é mais tempo para sonhos. São dias de guerra, de sangue e carne exposta para lobos e abutres. Não há mais alimento para a alma. Almodóvar me salpica esperança de que seja tudo um pesadelo, mas assim que leio FIM percebo que é a ilusão um analgésico momentâneo. De volta à vida não suporto encarar meus olhos no retrovisor do carro, abaixo a cabeça e mergulho no escuro e o que mais me atormenta é ser impossível fugir de mim mesma.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009